22 de mar de 2009

Um Novo XôEpisio!

Na vida a gente sempre tem que ter um PLANO B, para tudo!

Não que a gente sempre tenha que pensar que as coisas vão dar errado e para esse caso então sacamos da manga o PLANO B (sou contra pensar no negativo!), mas simplesmente porque pra tudo tem um jeito... E a gente sabe ser criativo para isso!

Por anos e anos a fio mantivemos nossos blogs de "mulher para mulher" no Blogger.com.br da Globo, mas acabei com minha assinatura lá - conforme escrevi no último post dos blogs. Cheguei a parar de usar minha conta da Globo e seguir pagando os R$19,90 da assinatura mensal por alguns anos somente para poder cuidar do Parto Humanizado, do XôEpisio e do Mulheres de Peito quando dava... Já foi. Acabou.

E como agora não tenho mais como cuidar deles (O Blogger.com.br não é "democrático" - a gente só loga nele com a conta da Globo!), e ainda me vejo na vontade de de vez em quando publicar os textos interessantes que encontro sobre Parto, Humanização do Nascimento, Episiotomia, Amamentação e tudo o mais que tem a ver com esse Universo Feminino, começo essa nova fase aqui... Espero que esse aqui seja tão útil quanto o outro!

Sejam bem-vindos!

18 de mar de 2009

Mudança de hábito

Fonte: http://www.unifesp.br/comunicacao/sp/ed07/reports1.htm - Por Kátia Stringueto.

Muitas mulheres nem sabem o nome dessa cirurgia, mesmo quando a ela foram submetidas. Trata-se da episiotomia, corte feito no parto normal para apressar o nascimento do bebê. Acontece que esse procedimento, quase sempre, é desnecessário.

Praticada em cerca de 80% dos partos, quando o ideal seria em 20%, a incisão está na mira das autoridades de saúde desde que a Medicina Baseada em Evidências provou que, na maioria dos casos, não protege nem a mãe nem o bebê. Ao contrário, seria responsável por um número maior de infecções pós-operatórias, hemorragias e até rebaixamento da bexiga.

Esse último seria um dos fatores que levam à incontinência urinária na maturidade e ocorre porque o obstetra dificilmente consegue recompor a região pélvica como antes. É mais um motivo para acabar com o vício da episiotomia.

Todo mundo sabe o quanto é difícil sair da rotina. Mesmo que seja para melhor. Em se tratando de medicina, a mudança de paradigmas é ainda mais complicada quando enfrenta a resistência dos próprios médicos.

E a episiotomia, introduzida na obstetrícia em 1742, entra como um desses hábitos duros de mudar. A incisão no períneo, grupo de músculos que vai da vagina ao ânus, seria uma forma de ampliar a abertura vaginal facilitando a saída do bebê durante o parto normal. Há até uma intenção nobre nesse procedimento. O corte, controlado, poderia ser bem suturado recompondo a musculatura local e evitando uma laceração brusca, irregular e, portanto, de difícil correção.

Parecia bom, mas a prática não comprovou a teoria e estudos recentes apontam um aumento no risco de trauma, infecções, hematoma e dor, além de maior tendência à incontinência urinária entre as parturientes que passaram pela cirurgia. "Não existe o efeito protetor que todos imaginávamos. Não é porque se fez episiotomia que a mulher não ficará com a vagina dilatada ou com a bexiga baixa", diz Eduardo de Souza, chefe do centro obstétrico do Hospital São Paulo.

Diante desses resultados, a tendência mundial é restringir o uso da episiotomia. No Brasil, uma campanha nesse sentido começou no ano passado. Há dois benefícios relevantes: primeiro, não se faz o corte na mulher (que implica uso de anestesia e risco de infecção), e, segundo, mantém-se a musculatura perineal íntegra, já que nem sempre o obstetra consegue recompor o assoalho pélvico como antes, o que pode facilitar o afrouxamento da região e rebaixamento da bexiga, levando à incontinência urinária.

Curioso é que, mesmo com todas essas vantagens, a maioria dos obstetras ainda realiza o procedimento como quem cumpre um ritual. Basta o parto demorar um pouco e pronto. Falta paciência e, pior, falta esclarecimento.

"A postura moderna é que se use a episiotomia seletiva, quando o bebê é muito grande e está forçando a região do períneo, por exemplo. Ou quando a musculatura da mulher é muito rígida. Nesse caso, uma rutura no local poderia ser tão extensa que chegaria até o ânus", esclarece Eduardo de Souza.

A inexperiência poderia até justificar que se fizesse a episiotomia antes de se ter certeza de que a musculatura perineal não vai suportar a passagem do bebê.
Não é bem o caso. A maior resistência à mudança de rotina obstétrica vêm dos médicos mais antigos. Às vezes, por uma questão de puro vício.
"Lembro de uma médica que pedia para que lhe segurassem as mãos a fim de evitar que praticasse a episio, como também é conhecida no meio médico", disse a antropóloga americana Robbie Davis-Floyd em visita à São Paulo à convite do Distrito de Saúde de Campo Limpo da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

A antropóloga informou que nos Estados Unidos, apesar de estar em queda, a operação ainda ocorre em 80% a 90% dos partos normais de primíparas (grávidas do primeiro filho). No Hospital São Paulo o índice é um pouco inferior: 70%. Mas ainda muito acima do desejável quando se sabe que cerca de 20% a 30% dos partos normais necessitam de episiotomia.


NORMA SEM SENTIDO

O quadro é semelhante a outro hospital conveniado ao Complexo Unifesp/SPDM, o Hospital Estadual de Diadema. Lá, de cada sete partos normais realizados por dia, cerca de cinco incluem o procedimento.

Já é um avanço quando se lembra que antigamente fazia-se episiotomia em todas as mulheres. "Era uma norma sem sentido", diz o obstetra Levon Badiglian Filho, plantonista. "O médico ainda faz a incisão meio que no piloto automático para ajudar a criança a nascer mais rápido. Mas fazer nascer mais rápido não significa fazer nascer melhor."

É essa consciência que se espera do médico. Abreviar o parto quando necessário, se o bebê está em sofrimento. Mas manter a integridade do corpo da mulher sempre que possível. O abuso da episiotomia remete a outra questão importante: como o parto é conduzido. Dar à luz na posição inclinada - e não deitada - facilita o nascimento e diminui a episio. Quanto ao medo de lesões, vale saber: "As lesões que se pode causar à mulher ao cortar-se o músculo perineal, entre a vagina e o ânus, são piores do que as pequenas lacerações", diz a enfermeira obstetra Ana Cristina d'Andretta Tanaka, do Departamento de Saúde Materno Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP. Pela experiência de atendimento no Hospital de Itapecerica da Serra, em São Paulo, a enfermeira observou que 50% dos partos normais acabam não tendo laceração alguma.

"Na outra metade, a maior parte sofreu lacerações superficiais, de primeiro e segundo grau. Rupturas de terceiro grau, que são um pouco mais profundas, aconteceram em 5% das parturientes, enquanto que nenhuma apresentou laceração grave", conta.

17 de mar de 2009

Callate y puja



É com muita tristeza e dor que assisti a este vídeo.
Pensei muito antes de publicá-lo e de fato não o fiz no blog Parto Humanizado. Mas aqui, onde o clima às vezes "pesa" mais, não me senti incomodada de fazê-lo.

Sempre discutimos se coisas como essas não assustam ainda mais as mulheres, mas hoje, quando o movimento pela Humanização do Nascimento atingiu uma escala maior e muita fonte de informação já está disponível (basta que procurem, muitas vezes), acredito que é importante que vejamos os fatos e como são violentos e ultrajantes. Mudança de paradigma não se faz de maneira suave, na prática.

Quando vejo partos como esse (e o que mais há na Internet é a divulgação desse tipo de coisa) e me lembro dos partos como o da parteira Mexicana Naolí Vinaver (disponível em vídeo), os das mulheres os quais tive o imenso prazer de ver compartilhados em listas de discussão de Parto Humanizado - onde as mulheres pariram sorrindo e gemendo mais de alegria que de dor, com seus parceiros, com seus filhos, em casa ou em hospital, mas com o apoio e carinho que merecem, lembro-me também de quanto já foi mudado no caminho que percorremos, mas, mais ainda, de quanto ainda temos que fazer.

Espero que em breve possamos ver partos e atendimentos neonatais como esse e pensar "que triste história do passado", mas com um sorriso feliz no rosto porque então as crianças nascem com dignidade.

16 de mar de 2009

SOBRE VÍDEOS DE PARTO...

A todos que estiveram por aqui pedindo vídeos sobre partos, agradeço a visita e o interesse, mas aqui pelo blog não divulgamos vídeos, nem mto menos vendemos ou enviamos os mesmos.

Caso tenha interesse em adquirir vídeos sobre o tema, recomendamos consultar a REHUNA (http://www.rehuna.org.br/) ou o Grupo GAMA (http://www.maternidadeativa.com.br/).

14 de mar de 2009

Depoimento da Lila - Parto Humanizado Hospitalar, depois de já ter tido 2 partos vaginais com anestesia, episiotomia...

Tive a feliz surpresa de, ao abrir hoje minha caixa de msgs, encontrar este depoimento da Lila! A pedido dela, publico-o aqui no blog.
Parabéns, Lila, pela sua busca, pelo seu sucesso, e pelos filhotes!
Bart

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LILA:
"Olá, tenho 35 anos e tive 2 filhos com 23 e 25 anos, através de parto normal, com epísio. Eu não conhecia o parto humanizado, não tinha idéia de que me cortariam, e então acreditei que fosse um procedimento de praxe. Os pontos após o parto doeram bastante, apesar da anestesia local, e depois, sentia muito desconforto durante as relações sexuais, por até 2 anos após cada parto. Há 3 meses tive meu terceiro filho no delivery room de um hospital. Posso afirmar que a preparação do meu corpo e da minha mente através do Yoga associada às caminhadas, e ainda, às informações dos sites XôEpisio (obrigada Bartira!), Amigas do Parto e do livro Parto Ativo (Janet Balaskas) foram primordiais para o desenrolar perfeito do nascimento do meu terceiro filho.

O parto:
Durante o trabalho de parto, eu caminhei o tempo todo e me agachava durante as contrações. Fiz uso da banheira de hidromassagem e chuveiro. Quando me senti fraca, tive que me deitar, pois estava zonza. Só que as dores eram terríveis na posição horizontal. Então me lembrei da dica do mel. Tomei cerca de 3 colheres de sopa e em 5 minutos estava reanimada. Incrível! Nem parecia que eu estive tão mal minutos antes! Era madrugada e, de repente, sabia que era “o” momento! A pressão entre as minhas pernas era enorme, eu sentia muita ardência. Coloquei a mão e percebi a cabeça do meu filho. Posicionei-me na cama, pendurei meu corpo na barra que havia sobre a minha cabeça, ficando de cócoras e comecei a fazer força. Como ardia! Dos outros dois filhos eu não senti nada porque levei anestesia local. Desta vez, foi tudo bem natural. Nada de soro, anestesia e regras, somente o meu instinto ditava a ordem dos acontecimentos. Após alguns gemidos e palavrões, senti a cabeça do meu filho sair de dentro de mim, e depois, o corpinho. Acho que só precisei fazer força cerca de 5 vezes. Foi muito rápido. Nicolas nasceu da maneira mais humana e natural que posso imaginar, 3 horas depois que cheguei ao hospital. Eram 03:08, ele media 50 cm, pesava 3180g, tinha 2 voltas de cordão umbilical no pescoço habilmente desfeitas no momento do nascimento e 9/10 Apgar. Muita saúde, uma beleza.

O pós-parto:
Logo após nascer, o médico colocou-o no meu colo. Meu filho mamou logo que nasceu e ficou comigo por uns 20 minutos. Só então a pediatra veio pesá-lo e medi-lo, tudo dentro do quarto. Ele não foi aspirado, a vitamina K foi administrada oralmente, mas não escapou do nitrato de prata nos olhinhos por ser norma do hospital. Enquanto eu eliminava a placenta, as outras pessoas trabalhavam na limpeza e organização do quarto, pois eu e o Nico ficaríamos ali até recebermos alta. Em poucos minutos o quarto, que antes parecia uma sala de parto, ficou com aparência de um aconchegante dormitório. Meu Nico ficou o tempo todo comigo. Meu corpo estava trêmulo e exausto, porém menos do que das outras vezes.

As conseqüências do parto:
Sofri uma pequena ruptura na direção do ânus, muito menor do que uma episiotomia, e as hemorróidas saltaram um pouquinho. Com 3 dias de parto fui ao shopping comprar soutien. Com 1 semana já usava jeans e nem sentia o corte! Com 1 mês e meio perdi os 14kg extras da gravidez e voltei ao meu peso normal, tinha relações sexuais sem o incômodo da cicatriz e a hemorróida já estava normal. Definitivamente, xô epísio, viva o parto humanizado, Amém ao parto ativo!

Nicolas nasceu há 3 meses e é uma bênção. Estamos todos apaixonados por ele. Só há uma palavra que define a sensação de ser mãe, novamente, aos 35 anos: SUBLIME."