27 de mar de 2015

MÉDICOS DO SUS TERÃO QUE JUSTIFICAR USO DE EPISIOTOMIA E OUTROS PROCEDIMENTOS

Por Ana Cristina Duarte, obstetriz:

"Depois que soube de uma morte por complicação de episiotomia em São Paulo, eu estou querendo aceleração da educação médica level hard plus. Episiotomia numa taxa acima de 5% é lesão corporal. Não acredito que seja necessária em mais do que 1% dos partos, em situações de estresse fetal grave e nascimento iminente. Mesmo assim, o vácuo extrator é muito melhor do que lesionar o períneo cirurgicamente. Mas ok, não temos vácuo em todos os serviços."



MÉDICOS DO SUS TERÃO QUE JUSTIFICAR USO DE EPISIOTOMIA E OUTROS PROCEDIMENTOS




http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2015/03/27/medicos-do-sus-terao-de-justificar-uso-de-episiotomia-e-outros-procedimentos/

Os médicos da rede púbica de saúde do Estado de São Paulo terão de justificar o uso de episiotomias (corte feito entre a vagina e o ânus), administração de ocitocina (para acelerar o parto) e lavagem intestinal feita nas pacientes durante o parto. As medidas fazem parte da lei do parto humanizado sancionada na quinta-feira (26) pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

O projeto, de autoria do deputado Carlos Bezerra Jr., também estabelece que a gestante tenha direito à anestesia durante o parto normal e escolha também métodos não farmacológicos, como a massagem, para aliviar a dor. No SUS (Sistema Único de Saúde) nem sempre as maternidades têm anestesistas disponíveis para atender as parturientes.

Pela lei, a mulher também tem direito a comer e beber durante o trabalho de parto e ainda se movimentar durante as contrações. A gestante também poderá escolher a posição que fique mais confortável para parir. Normalmente, as gestantes são colocadas em posição ginecológica, o que aumenta as dores das contrações e dificulta o nascimento do bebê. A lei também deixa claro que os médicos devem fazer a “mínima interferência” possível e usar métodos “menos invasivos e mais naturais.”


PLANO DE PARTO

A gestante também poderá fazer o plano individual de parto onde será orientada durante o pré-natal e poderá indicar se quer ter anestesia, quais as opções não-farmacológicas para alívio da dor e o modo que será feito o acompanhamento e monitoramento cardíaco-fetal. O plano será feito em conjunto com o médico que vai informar a parturiente sobre as suas escolhas. Saiba mais sobre o plano de parto.

A parturiente também poderá saber com antecedência onde o parto será realizado. Uma das propostas da nova lei também é garantir o direito a um acompanhante, que já é prevista em uma lei federal e é descumprido em várias maternidades públicas e privadas do país.

A única coisa que não ficou clara ainda é de que maneira a lei será fiscalizada e como será feita a humanização de parto na rede pública.


LEI MUNICIPAL

Em novembro de 2013, o prefeito Fernando Haddad (PT) sancionou um projeto de lei semelhante ao que passa a valer em todo o Estado.

O projeto também permite que as mulheres optem por métodos não farmacológicos de alívio da dor, como massagens e banho quente, e solicite anestesia se essa for sua vontade. Elas podem ainda saber com antecedência onde darão à luz e escolher o tipo de parto e um acompanhante – que pode ser desde um parente até uma doula.

A vereadora Patrícia Bezerra (PSDB), autora do projeto, disse na época que nenhuma das iniciativas era praxe nos hospitais municipais de São Paulo.
Apesar da lei estar em vigor, mulheres ainda têm dificuldades em conseguir partos respeitosos com o mínimo de interferência médica tanto na rede pública como na privada.

20 de mar de 2015

Já viram a nova carteira da gestante do Ministério da Saúde?

Linda linda, e cheinha de informações super relevantes!

Veja neste link!

Esse modelo é o do Ministério da Saúde, aqui no Rio li que é um pouco diferente - seguem o modelo do projeto Cegonha Carioca.

AMEI!!! Quero uma pra mim!

19 de mar de 2015

Viva o ânus!

(por Ana Fialho, dedicado a Bernadette Bousada - ambas obstetras)

"Num país não tão distante, por motivos não tão claros, de repente começaram a se fazer muitas colostomias. Fazer coco naturalmente tinha riscos potenciais, hemorróidas, fissuras, doía... Algumas pessoas, coitadas, herdavam geneticamente a dificuldade de fazer coco, outras pessoas não tinham nenhum prazer no ato, outras ainda achavam que se perdia muito tempo da vida sentadas na privada. Optavam então por colocar uma bolsa no fim do intestino e por ali o coco sairia sem complicações.

Nesse país era tão frequente a cirurgia que os médicos ficaram craques nela! Os resultados eram maravilhosos, poucas intercorrências, na verdade a taxa de mortalidade era quase zero! Com o avanço na tecnologia cirúrgica e farmacêutica, a dor do pós operatório e as infecções eram mínimas! Ninguém mais questionava quando alguém escolhia nunca mais fazer coco na vida, uma escolha informada, a pessoa é livre, o anus é dela e ela decide se quer usá-lo ou não!

Com o tempo, a taxa de colostomia ultrapassou os 80%, a minoria que ainda queria fazer coco era taxada de louca, irresponsável, inconsequente. Como quase ninguém mais fazia coco, o evento, outrora cotidiano, tornou-se assustador! Dava muito medo fazer coco. So se podia fazer coco com ajuda de profissionais, muitas intervenções para auxiliar e claro em ambiente hospitalar.

O medo era tanto que as complicações entre os fazedores de coco aumentaram muito, taxas de hemorróidas, fissuras, até hemorragias graves após o ato aumentaram vertiginosamente. Fora aquele cortezinho no anus pra ajudar a sair o coco que inflamava, doia, dificultava os próximos cocos... Mesmo com medicações, anestesia, cortes, fazer coco era muito difícil, tinha que ser muito corajoso! Ouvi dizer até que a vizinha de uma prima que mora nesse país morreu entalada porque quis forçar fazer coco de qualquer jeito, sem ajuda de ninguém. Um horror.

Se essa história parece estranha, exagerada, se a comparação com o parto te parece esdrúxula, é simplesmente porque a cesariana para nós não é mais considerada uma cirurgia que substitui um evento fisiológico. O parto não é mais considerado fisiológico e quem está perdendo somos nós, mulheres, homens, crianças.

Viva o ânus! Meu corpo, minhas regras!"

6 de mar de 2015

"Tivemos que importar um congresso internacional (BirthBrazil), e tivemos que importar um obstetra pesquisador Israelense que vive na Alemanha, para ele dizer aos nossos obstetras que não é para fazer episiotomia, e que o maior risco de danos perineais graves vem justamente das episiotomias. Mesmo que a apresentação dele tenha sido apoiada no trabalho de Melania Amorim e colegas... Precisamos do gringo vir aqui, para os nossos obstetras acreditarem. E capaz de ainda não terem acreditado, visse??"

Por Ana Cristina Duarte, no Facebook dela (aqui).