21 de abr de 2015

Episiotomia: pelo fim do corte mutilador




"Inauguro esta seção do meu blog com a foto da cicatriz de uma episiotomia realizada há 17 anos, no contexto de um parto violento, em que a paciente chegou com colo fechado, recebeu ocitocina sem indicação, teve posterior dilatação forçada do colo e comandos de puxos durante o período expulsivo. Como complicações, lesão de bexiga e laceração de reto (lesão perineal de quarto grau), teve alta sondada e terríveis sequelas em longo prazo. Estenose do introito vaginal (visível na foto) pela retração cicatricial, eu tive que usar espéculo de virgem para examiná-la e fiz o toque unidigital, sempre explicando passo-a-passo cada etapa. Aos prantos ela me contou que depois desse que foi o seu primeiro parto, nunca mais teve relações sexuais sem sentir dor (dispareunia), e a dor não melhorou depois dos partos subsequentes, em que também teve o períneo cortado.

A história me emocionou bastante e eu perguntei se poderia fotografar e divulgar a foto para a campanha que estamos fazendo PELO FIM DO CORTE MUTILADOR, EPISIOTOMIA NUNCA MAIS! Choramos juntas e ela me disse que se a divulgação da foto pudesse ajudar a sensibilizar mentes e corações tanto de obstetras como das mulheres para evitar que outras venham a sofrer o mesmo problema, ela autorizaria a divulgação com muito gosto, porque isso traria uma espécie de compensação para todo o seu sofrimento.

Obrigada, Maria*, por ressignificar sua dor partilhando a história conosco.

Quem tiver fotos e relatos semelhantes, por favor envie para estudamelania@gmail.com.

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* os nomes serão simbolicamente representados por Maria, para resguardar o sigilo e a confidencialidade das entrevistadas."


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